terça-feira, 18 de março de 2008
FELIZ ANIVESÁRIO
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Mensagem: Pai do João
Pai do João, o João tem de ser informado para todo o tipo de alterações no seu dia-a-dia!
Pai do João, o João é um menino especial! Não é deficiente, mas sim uma criança doente.
Pai do João, só com tratamento, atenção, paciência e principalmente muito amor, é que o João pode e conseguirá ser inserido na sociedade em que vivemos!
Pai do João, com muito trabalho de toda a equipa em volta do João, ele neste momento aceita o toque, aceita o TEU toque e o teu colo, olha-nos nos olhos, tem noção do perigo!
Pai do João, mesmo com os tratamentos por vezes continua a apresentar quadros de crises... mas se sabemos que podemos evitar! Porque não o fazer?
Pai do João, conseguindo evitar uma crise, evitamos a sua auto-agressão e a agressão a quem está próximo dele. Porquê não evitar essa angústia e tristeza no João?
Pai do João, todo o desenvolvimento intelectual do João está dependente de todos os estímulos que recebe! Pai do João, o amor pelos meninos é de igual forma, mas tens de conseguir admitir que com o João os cuidados são maiores!
Pai do João, a expectativa de vida do João é a mesma de qualquer outro individuo, como tal, é provavél morrermos antes dele. É necessário organização para garantir o futuro do João.
Pai do João, não tens como não aceitar. Também é teu filho e depende também de ti.
Pai do João, na ausência do tratamento, o João tem crises frequentes.
Pai do João, o João é muito sensivel a determinadas situações, em que muitas vezes o próprio contacto fisico e determinados sons, transformam-se em tortura. Até um perfume! Até mudar um móvel pode desencadear uma crise.
Pai do João, um ambiente tranquilo facilita e tranquiliza o João...
Isto não é uma novela...
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Noticias: História menino autista
Reconheço que por vezes me sinto uma "louca" sempre à procura de respostas,de soluções, justificações... Mas não posso, não consigo, nem quero ficarparada... Preciso de sentir que não sou a única, preciso de sentir queexistem mais pessoas com a mesma luta e que um dia teremos uma soluçãodefinitiva, porque na verdade estas crianças são surpreendentes e acreditoque com a evolução da ciência, o interessa cada vez maior da sociedade ementender estas crianças e ajudar... Sairemos vencedores desta batalha!
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
CHORO

Mas será que o reflexo que ele vê no espelho é ele? Será que ele olha para o espelho e simplesmente está a ver-me, e olha-me com compaixão, como uma mãe que quer ser boa, ideal, perfeita. Será que ele olha para o espelho e procura em fantasia a sua mãe ideal? - ou simplesmente olha para o espelho e chora pela consciência da sua dor?
Isto tem acontecido muitas vezes antes da ultima crise que o João teve. Tenho a sensação que não estive atenta aos sinais que ele me estava a dar...
Geralmente uma criança quando chora é porque se sente frustada, precisa de mostrar que algo não está bem... o choro de uma criança nunca é simples ou despropositado.
Em desespero ao final do dia, decidi revirar a cama toda... estava debaixo do colchão...
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
ENFRENTANDO O AUTISMO: A CRIANÇA AUTISTA, SEUS PAIS
A criança autista não quer ou não pode se comunicar? Marie Dominique Amy, com mais de 20 anos de experiência no tratamento dessas crianças, defende com veemência o caráter multidisciplinar da doença e a necessidade de ação conjunta no seu enfrentamento. Amy destaca a importância dos pais na dura tarefa de perceber e estimular os pequenos progressos da criança autista, permitindo que o desespero e a descrença dêem lugar a uma nova perspectiva de esperança.
Após um breve balanço histórico do autismo, a autora descreve em detalhes o comovente percurso do menino François, que foi do isolamento autístico ao despertar da palavra e ao relacionamento com o mundo exterior.
Gostei de ler e recomendo...
Crise reincidente
Hoje está a ser um dia dificil... muito dificil.Logo pela manhã o João teve uma crise. Tudo porque dormiu com um pequeno boneco homem aranha e de manhã não o encontrou.
Começou por uma pequena birra... mas controlável... até que ele começou a perder o controlo sobre ele próprio... e aí sim... começou uma crise...
Desde o sair de casa, o descer as escadas... tive que o colocar na cadeirinha com o cinto de segurança no máximo. Habitualmente de manhã costumamos ficar à espera do autocarro todos à frente...
Fiquei triste... nada do que habitualmente o anima de manhã estava a resultar... era o pequeno boneco... faltava aquela peça!
Assim foi o caminho todo para a escola... e assim ficou na escola. Toda a sua agressividade começou a ser dispersada para quem estava à sua volta... Não conseguia ouvir mais nada... apenas se fechou no mundo dele e na peça que que faltava - o boneco spiderman pequenino...
Vim embora, deixando apenas a recomendação para ter cuidado com a agressividade dele para com os outros meninos.
Já liguei para a escola, e efectivamente ainda esteve em crise durante mais alguns minutos. Quando a E. - a educadora - chegou, já a situação estava mais controlada. E até já tinha comido o seu iogurte da manhã. Já estava estável e a interagir com os outros meninos.
Se de repente fiquei aliviviada com a informação, por outro lado, estou com o coração apertado, porque eu acreditei mesmo que nunca mais viveria estes episódios de crise. Pensei que tinham passado... pensei efectivamente que pertenciam ao passado. Ele tem tido birras e não crises! Hoje foi evidente... foi uma pequena crise. A seguir a estas vêem as outras... é um ciclo...
Durante o dia, eu e a educadora vamos estar mais atentas ao seu comportamento, de forma a que se consiga evitar...
No entanto o meu coração está apertado...
Estou com o coração apertado pelo passado, pelo presente e pelo futuro...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
As crianças precisam de pais perfeitos? by Júlia Serrão

As crianças precisam de pais perfeitos? by Júlia Serrão.
Sei que não é um assunto habitualmente abordado aqui - autismo - mas são pensamentos, ideias, dores, incertezas que passam pela cabeça de todos nós.
É inevitável não partilhar isto convosco...
Como mãe procuro dar-lhes educação mas também conseguir proporcionar-lhes bem estar e conforto. Quero a felicidade dos meus filhos acima de tudo, e contribuir de uma forma activa. Reconheço que aspiro a ser uma mãe perfeita independentemente do que isso signica para mim.
Coloca-se a questão:
"... as crianças precisam mesmo de pais perfeitos?"
Não existem filhos perfeitos, não existem pais perfeitos, " e nem as crianças precisam de pais perfeitos. O que elas precisam é de pais naturais, pais atentos e pais contentores das suas angustias." Nem sempre consigo não transmitir essa angústia, esses receios as dúvidas, mas quando o faço tento fazê-lo de uma forma o mais natural possivel!
"Não há pais super-homens nem mães super-mulheres, o que existe são homens e mulheres a aprender a ser pais, todos os dias.
O melhor pai - e a melhor mãe - é aquele que ama sem limites e limita por amor. Um bom pai dá oportunidade. E um pai excelente nunca desiste."
Mas a verdade, é que para mim, ser uma boa mãe, por exemplo, no campo dos afectos, é proteger as minhas crianças a todo o custo do mal, das dificuldades e até da tristeza.
Mas diz o artigo: "... não esquecer o direito da criança a passar por tudo isso, também como forma de fortalecer-se. ...
... Os bons pais são aqueles que não percorrem o caminho pelo filho, mas que indicam o caminho a percorrer, pois ajudam a separação a autonomia."
Diz ainda o artigo:
"...os pais correm o risco de não amar os filhos ao sobreprotegê-los (...) Se não a deixarmos experimentar, fazer as suas próprias experiências, se não soubermos largar-lhe a mão, ela jamais saberá caminhar sózinha"
É preciso abandonar a ideia de que o nosso papel é evitar que os nossos filhos sintam angústias, tristeza e desânimo, "lembrando que é importante que a criança viva estes momentos da melhor forma que sabe..."
Diz ainda:
"Para crescermos saudáveis temos de aprender a ter resistência à frustação, e quanto maior esta for também maior é a força do ego..."
Isto para concluir:
"...se nos formos habituando a lidar com as dúvidas e dificuldades e com as especificidades de cada um desses estágios de vida, conseguimos alcançar a maturidade! (...) é preciso prepará-los para saber lidar com os conflitos. Os conflitos são saudáveis, fazem crescer, pois obrigam a encontrar estratégias para ultrapassar os problemas e arranjar soluções."
"(...) os bons pais e as boas mães são aqueles que não se cansam de dizer aos filhos: - Tu és capaz, é dificil, tens dificuldades mas tu vais VENCER!"
"As crianças tendem a crescer através do modelo. Não fazer aquilo que os pais lhes dizem para fazer, mas aquilo que vêem os pais fazerem."
Não me sinto aliviada ao ler este artigo, também não me parece que seja esse o objectivo.
Mas se por um lado consigo entender a ideia que é transmitida e até posso concordar com algumas delas... até que ponto EU, MÃE, neste caso sou só eu, consigo gerir e ser racional o suficientemente para colocar isto em prática?
A verdade é que não amo menos os meus filhos por não conseguir seguir estas regras...
Reconheço os meus erros, quero ser a super mulher, e muitas vezes defronto-me com as minhas limitações, o que me deixam frustada... mas acima de tudo:
AMO os meus filhos.
