Recebi uma mensagem: “21 de Julho às 21 horas! Um programa sobre autismo.”
- Boa! – pensei instantaneamente!
Esperei ansiosa que começasse, e fez-se silêncio assim que começa o programa. Não estava à espera que fosse um programa com grande tempo de antena, mas que focasse os aspectos fundamentais desta doença, o que é preciso e falta neste País, para que seja possível a integração destas crianças da melhor forma na nossa sociedade!
Quando termina o programa... senti-me frustada.Como é possível até a comunicação social deixar-se influenciar? A informação deveria ser isenta,
REALISTA...
NÃO FOI NADA DISSO QUE VI...Vi o problema destas crianças abordadas de uma forma fútil, estéril...1. Vi uma associação a falar sobre o assunto...
2. Vi uma psicóloga a falar como ajuda um menino autista...
3. Vi uma instituição a falar sobre a decisão de uma mãe colocar o seu filho na instituição internamente...
4. Vi o responsável da primeira escola ABA em Portugal a falar com orgulho sobre a sua obra...
Agora comento eu:1. Existem associações que ajudam pais com crianças com este diagnóstico... não só o
Diferenças, como temos o
Cadin... associações com um poder de resposta e de esperança enorme! Que nos lembra que não estamos sózinhos, não somos os únicos e todos lutamos pela mesma causa.
MAS POR ACASO FALARAM SOBRE QUANTO CUSTA UMA CONSULTA NUMA INSTITUIÇÃO DESTAS? QUANTO CUSTA UMA CONSULTA COM O NEUROPEDIATRA, UMA CONSULTA COM A PSICÓLOGA, UMA AVALIAÇÃO??? E quando uma mãe faz um esforço enorme mas não consegue? É insustentável a conta ao final do mês. No meu caso pessoal tive de desistir. Até hoje não me foi perguntado porque nunca mais frequentei a associação! Não existiu a menor preocupação com o futuro desta criança... Na altura ainda falei na questão de ter de desistir... podia preencher uns papeis que levam meses a ser analisados... até lá podia suspender as terapias, ou pagar até a aprovação de ajuda nos tratamentos. Como já perceberam, quando se trata dos meus filhos, não sou mulher de ficar de braços cruzados. O meu filho não podia ficar à espera da aprovação da tal ajuda...
2. Quantos mais podem pagar a uma psicóloga para ensinar o seu filho a ser o mais possível independente? Até consegui perceber como conseguirei eu própria fazê-lo... mas não tenho uma empregada que me possa nos primeiros dias, ou de vez enquanto, controlar se tudo está a correr bem!
3. Existem mães que encontram a solução na colocação do seu filho numa instituição como interno. Não vou dizer que fico chocada... é quase como passar essa responsabilidade para outros. Vejo como uma recusa de aceitar o problema... mas consigo respeitar, pois sei o quanto é desgastante estar com uma criança com PEA... mas mais uma vez fica aqui a questão... se eu quisesse tomar essa decisão... também não o poderia fazer... por acaso falaram do custo que é apresentado ao final do mês para manter uma criança numa instituição destas?
4. A primeira escola ABA em Portugal é realmente um projecto fabuloso... mas quantas e que crianças vão poder usufruir desse ensino? Que crianças vão poder frequentar essa escola? Com certeza que o responsável deste projecto, da construção desta escola quer reaver o seu investimento... portanto, mais uma vez pergunto. Quanto custará poder ter uma criança nesta escola tão inovadora e tão importante para estas crianças?
Então e onde é que estão os pais e as crianças que não têm este poder de compra... mas que os problemas e necessidades são as mesmas?
Sei que tenho de olhar para esta reportagem como mais um passo positivo pela divulgação do autismo. Mas soube a pouco... muito pouco... pois os casos que mostraram estão muito longe da realidade... se queriam falar do que existe para ajudar as crianças, até entendo, mas teria sempre que ser abordado os custos dessa ajuda! - e vi maioritariamente adultos e não crianças. Quantas crianças existem em Portugal com este diagnóstico? E os apoios? Apoios para quem não tem possibilidade de frequentar umas destas instituições!?
Chego à conclusão que o futuro destas crianças pode ser sempre melhor mas só acessível a alguns – só a quem pode pagar.
Existem tantas educadoras no desemprego, com vontade de exercer a sua profissão, com dedicação suficiente para se especializarem e fazerem muito por estas crianças – basta irem a vários
fóruns e constatarem algumas.
A ciência prossegue e batalha para entender e conseguir obter uma resposta, mas é necessário pensarmos que a vida destas crianças, a sua independência, autonomia e integração na sociedade não tem preço.
Não me importaria de vender a casa, tudo o que tenho para conseguir isso para o meu filho, mas e quando não se tem nada para vender? Que alternativas restam?
É preciso olhar para toda esta questão com outros olhos, e era disso que estava à espera desta reportagem da TVI. Mostrar a realidade e das dificuldades que os pais passam para conseguir o melhor para os seus e uma verdadeira reportagem sobre o autismo...