quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Educação | Recado na caderneta do Aluno


Escrevo este post 4 dias depois de receber esta mensagem na caderneta do aluno do J. para conseguir escrever com alguma contenção nas minhas palavras e emoções.
Deixou-me preocupada e indignada. Foi o que respondi, mas na verdade o que queria escrever era REVOLTADA!
Não é novidade que o J. tem dificuldades de aprendizagem derivadas ao seu diagnóstico e por isso tem um PEI !
Não posso aceitar a resignação a "o J. não consegue" pois isso implica que ele nunca aprenderá.
Não posso aceitar que a escola desista da sua função que é ensinar.

Noutra fase da vida do J. já houve quem dissesse que ele poderia nunca vir a falar. Hoje fala "pelos cotovelos".

Na verdade, desta mensagem fiquei sem saber afinal qual é a matéria que irão lecionar no próximo mês, que o mesmo não conseguirá "compreender, nem acompanhar (nem imitar)? Imitar? Imitar? ???
 

Ainda estou incrédula com o que leio.

Parece-me que a informação sobre a matéria que vai ser dada é essencial para eu poder colaborar em delinear estratégias para o bem do processo educativo do João.
Mas claro, isso não parece relevante.

Com 3 filhos tem sido difícil gerir toda a logística que implica para poder estar presente em todos os momentos importantes na vida de cada um, mas em relação ao J. tenho sido incansável na procura de respostas, soluções e estratégias para ajudar, acompanhar e apoiar todas as pessoas que trabalham com ele.
Tenho reunido com a diretora de turma, com a professora de ensino especial e estou sempre disponível para reunir com qualquer professor para o efeito.
Não será de pensar que se a estratégia de um aluno tutor não está a funcionar, não teremos de delinear outra?
Claro que é mais fácil procurar culpados para a nossa frustração ou incompetência. É mais fácil concluir, sem ainda se ter começado, que o J. não consegue. Eu vejo as coisas de outra forma. Não é o J. que não consegue, se calhar é a professora que não consegue, não sabe... Pronto, aqui estou eu a deixar-me levar pelas emoções... Mas de facto é difícil.

Não consigo aceitar este tipo de atitude e comportamento por parte de um professor!
Estamos a falar da disciplina de Educação visual. É assim tão difícil adaptar o programa para uma criança com um PEI?
Se uma professora de matemática consegue motivar um menino como o J. que mesmo com a existência do programa, a resistência que os alunos têm, com a pressão dos exames... Vou deixar a história da professora de matemática para partilhar mais tarde. Sim, porque felizmente ainda existem professores com vocação para aquilo que fazem e que olham para estas crianças como desafios para serem ultrapassados, tal como estas crianças têm os seus todos os dias.

Leio e releio esta mensagem e tento perceber qual é a conclusão que devo tirar.
Tento perceber qual o intuito deste recado...
É só para meu conhecimento? - Em momento algum li a intenção de se reunir comigo para procurarmos uma estratégia nova. Ou até mesmo um pedido de "ajuda" para a dificuldade que está a ter em trabalhar com o J.
É suposto ler esta mensagem e apenas assinar que tomei conhecimento?
 

Bom, quanto ao caderno é um assunto bastante mais fácil de resolver!
Tratasse de um esquecimento no primeiro dia de aulas do 2º período depois das ferias do Natal que será corrigido e ultrapassado.

1 comentário:

Mario disse...

Lamento que o J tenha esse Abecula como professor...