sábado, 19 de julho de 2008

***


Sinto um vazio...
Não é uma depressão, não é uma tristeza...

É fácil dizer: "O problema está na tua cabeça! - se tentares vais conseguir sair desse estado!"

Como se eu fosse uma fraca...

Estou a perder as forças...
Estou a perder o interesse pelas minhas tarefas diárias.
Estou a perder a esperança.
... sinto-me impotente...

Acordo várias vezes à noite... sem perceber o que se passa?!
Não consigo concentrar-me... tomar decisões...
Sinto-me lenta... cansada... agitada ao mesmo tempo... e tudo é capaz de me irritar!
Quero fugir do Mundo... quero estar sózinha!

Estou cansada... perdi a minha energia...
Sinto-me uma pessoa sem valor...

Estou sem conseguir dar resposta a todos os problemas que estão a surgir: doença, familiar e trabalho...

Não é suposto estar aqui a falar de mim... mas... às vezes... sinto necessidade que me perguntem como estou...

Não quero sentir-me assim... não queria sentir esta dor... o tempo cura tudo... eu sei... mas neste momento? neste momento o tempo passa... passa... passa... mas a dor, a frustação continuam aqui...

Gostava de ser como algumas pessoas... aquelas pessoas que têm o dom de resolver todos os problemas. Deve ser um talento especial... se alguma vez tive esse talento... acho que perdi o meu.

Já passei por momentos tão dificeis... quando foi diagnosticado o problema ao João, todo o meu mundo desabou pela 2ª vez. Mas aguentei! Neste momento sinto-me tão vulnerável... não vejo a famosa luz ao fundo do túnel...

Sou pessimista... mas esta é a minha realidade!

Não quero desistir... mas está a ser muito dificil aguentar toda esta pressão a que estou sujeita!

Sinto as portas a fecharem-se.
Rio-me de desesperada.
Todas as palavras amigas são irritantes.

Só quero ficar sózinha... bem sossegada... mas não posso, porque existem pessoas que dependem de mim... e tento ser presente, mas na verdade o que desejo é estar bem longe...


Estou numa fase em que as lágrimas correm pelo rosto sem aviso prévio...

16 comentários:

Grilinha disse...

Eu também não tenho esse dom que falas.
Não conheço os teus problemas para dar uma opinião, mas só queria dizer-te que acho que não devem ser fáceis, porque tu já passaste por muito e tens-te aguentado. Por vezes mesmo que não sejam mais complicados, apanham-nos mais vulneráveis e cansadas...Como é típico nesta altura do ano.

Um grande beijinho

Mina disse...

Aí.Aí..... Sofia vamos lá levantar esse astral.Se isso não é depressão, que não pode ser, porque uma mãe não tem tempo para deprimir, mas é uma enorme pressão que tira o folêgo e o alento, mas a "menina" , não vai deixar está bem...Tbm já mergulhei nesse poço algumas vezes, mas temos de vir rapidamente á supercífie, os nossos filhos não podem sofrer com estas nossas fragilidades,perfeitamente naturais em quem tem de exercer tantos papéis na vida.É certo que as lágrimas ás vezes são mais fortes, deixei-as rolar...Fez bem partilhar,as mães não sâo de "ferro",embora ás vezes não nos deeiam o direito de chorar.E a partilha é mesmo isto, os bons e os maus momentos...Leu momentos,vá vamos lá recuperar e trazer a Sofia forte e resistente de volta.Força muita força, não está sozinha...
Bjocas

Mrs_Noris disse...

Querida Sofia,
Se calhar precisas desanuviar a mente para ultrapassares esses sentimentos menos bons. Às vezes não conseguimos resolver tudo sozinhas, precisamos da ajuda dos amigos e/ou familiares. Não te isoles. Um abraço e um beijinho.

Anónimo disse...

ola mama sofia depois do texto que li fikei sem palavras,e uma mae espetacular com tanta forca gosto mto do seu trabalho... sei k e dificil as x e o ser humano vai abaixo mas tb vai buscar forcas sabe se la onde...pode contar cmg semp k precisar d desabafar as x tb e bom ter kem nos ouca....desejo lhe tudo d bom e forca o seu menino precisa de si e decerteza k ele nao gosta d ver a mama dele triste...amanha acorde com um sorriso por ele...jinhs

Anónimo disse...

ah eskeci me d deixar o meu contacto e nome xamo me dulce o mail e dulce_icegirl@hotmail.com
no ano anterior fiz um trabalho sobre o autismo e trabalhei com uma crianca adorei o trabalho k fiz...e tao gratificante nem que seja receber um sorriso do outro lado...bjinhos sofia

Nexita disse...

Oh minha querida... não te conheço mas parte-me o coração ler estas coisas... sei que é muito fácil falar e dizer tens de ter calma e relaxar... mas acho que devias respirar bem fundo e conversar muito contigo, ouvir-te bem e tentar entender-te a ti mesma. Força sim!

alface disse...

Costumo passar por aqui para recarregar baterias, mas parece que desta vez cabe-me a mim dar alguma força :) falar (ou neste caso escrever) já é meio caminho andado para que todos esses maus pensamentos não fiquem retidos dentro de coração, desabafar, chorar, partilhar, sabe sempre bem, não cura tudo, mas alivia um bocadinho. Também sou mãe e também desespero de vez em quando, parece que nós mães temos que aguentar tudo em cima sem demonstrar fragilidade, mas é impossível porque somos seres humanos :) e porquê sofrer?! Por muito que a pessoa tente pensar em coisas boas, às vezes torna-se complicado e quando assim é mais vale recorrer a uma ajuda, foi o que fiz, estou numa psicóloga (há pouco tempo) mas tem ajudado :) percebem tudo aquilo que estamos a sentir, mesmo antes de o dizermos, é fantástico :) e como ela diz, existem feridas dentro do meu coração que tem que ser fechadas, mas a partir do momento que essas feridas saram ficam mais fortes, tal como a pele, uma pele cicatrizada é uma pele hiper resistente. Não desista! Por si.. e pelo João :) Felicidades.
Um beijinho.

green disse...

Mãmã Sofia...todos temos problemas e só quem passa por eles é que percebe e sente realmente a dor, sei que é facil dizer"força, tu consegues, vais ultrapassar" mas esta é a verdade...se nao formos nós a superar as más situações que a vida nos traz ninguem o fará por nós... ninguem nos pode ajudar...só nós mesmo...muita força nao te deixes ir abaixo...fazes um trabalho maravilhoso pelo teu filho e pelo menos por ele tens de continuar a fazê-lo...eu trabalho com este tipo de população e nao vejo o empenho e o esforço de certos pais ,que tu tens para ajudar o teu filhote, ele precisa de ti....força..tu consegues...mil bjs************

Anónimo disse...

Querida mamã Sofia! Não faz mal nenhum, de vez em quando, ficar assim, aliás, é mesmso necessário, para depois encontrar novamente forças para continuar. Agora, temos de ter força para perceber que este estado é mesmo para ser limitado e não nos deixar-mos ficar nele mais do que o necessário. Sabe, a mim, toda a gente acha que eu sou muito forte, que tenho sempre capacidade para enfrentar tudo, que dou sempre a volta. Bom, essa a capa que eu crio, porque de facto, gosto de agir e não ficar a lamentar-me. Mas, é de facto a capa, porque no fundo, a minha cara pode estar alegre, mas quem me comhece bem, sabe ver a tristeza no fundo dos olhos e ai, despenco e sou uma verdadeira torrente de lágrimas. Também tenho dias em que fico, literalmente, de cama: vou levar as crianças a algum lado e depois lamento e choro tudo o que tenho direito. Depois, é por cara nova e lá estou pronta para tudo. Tem de ser assim, minha querida, os nossos meninos precisam mesmos de nós e, se não nos tiverem, como será? Não há escolha, pois não? Então vamos lá, por muito mau que agora pareça, daqui por uns dias já não será assim. Depois tem aqui estes seus amigos, prontos a ajudar, está bem Sofia?
Olhe, não quero piorar o cenário, mas só para pensar um pouquinho e ver o outro lado, vou contra-lhe uma coisa que se passou comigo, este fim-de-semana, da qual ainda não estou refeita: O meu filho mais novo, com PEA, desapareceu na praia! bastou um segundo em que olhei para outro lado e, qd voltei a olhar para o sitio onde devria estar, já não estava. Ao fim de uns minutos de não o encontrar, alertei os vigilantes da praia e organizamos buscas. Para mim, até encontra-lo foi uma esternidade ( estava no fim da praia, no meio de umas rochas. Como, ao contrario de uma criança da mesma idade, em que choraria quando se sentisse perdida, ele não e, por isso, ninguem reparou: foi andando, até não ter por onde andar mais e no sentido do sol, coisa que normalmente as outras crianças não fazem). No tempo que levei a encontra-lo,só pensava que poderia não o ver mais e isso foi tão devastador que apagou toda a semana menos boa que eu tinha tido, de balanços, de preocupações com o seu futuro. Naquele momento eu só queria encontra-lo e nada mais importava. Que se lixasse o futuro, as preocupções, eu só o queria de novo nos meus braços, de voltar a olhar para aquela carinha linda e aqueles olhos brilhantes!
Acabou tudo bem e estamos todos juntos. Nessa noite dormi agarrada a ele e foi delecioso!
Um beijinho mamã Sofia e força, conte connosco!
Maria Anjos

Estrumpfina disse...

Querida Sofia,

gostava de ter o dom da palavra para te poder reconfortar e dar a força que precisas.

Não somos de ferro, isso é ponto assente. Sou como a maioria, opto por uma máscara que me dá uma cara alegre quando estou triste por dentro e canto alegres músicas infantis quando tenho vontade de chorar. Mas eu tenho a facilidade de me poder afastar quando não estou mesmo em condições, tu não, por isso te admiro, por isso gostava que um forte abraço virtual te ajudasse a recuperar as forças.

Um grande beijo,
Andreia

ClaudiaMG disse...

Olá Sofia

Por vezes faz bem desabafar, verter umas lágrimas, chorar, berrar, eu sei lá. Ninguém é de ferro e nem nós somos super-mulheres.
Como tudo na vida há dias bons e menos bons, há dias de felicidade e dias de infelicidade e nem todos os momentos são bons.
O importante agora é levantarmo-nos, limparmos as lágrimas e continuarmos em frente. Nem sempre é fácil, nem sempre conseguimos sem ajuda de outros, mas já é um começo admitirmos que estamos menos bem, pois quer dizer que ainda temos o descernimento para conseguirmos ver que as coisas não estão a chegar a "bom porto" e mudar de "rumo".
Espero que consigas ultrapassar estar fase menos boa da tua vida e no que quiseres podes contar aqui com a minha ajuda, mesmo que virtual.

Um grande beijinho
Cláudia, Madalena e Guilherme

Mina disse...

Mamã Sofia,no comentário anterior esqueci-me de referi ,mas quando sinto esse desalento,o que acontece aos mais fortes.Encontro algum conforto nos livros de auto-ajuda,porque as consultas são carissimas,numa das vezes recorri a um neuralogista que só de consulta levou 83euros e ainda uma "catrefa" de medicamentos para andar nas nuvens,confesso que até me senti pior por ter gasto todo aquele dinheiro.Uma amiga aconselhou-me estes livros comecei a ler e de facto quando conseguimos interiorizar a mensagem,dá-nos uma sensação de alívio,ainda nos dias de hoje há um que não sai da minha cabeçeira que é as "Dez Leis para ser feliz",já está disponivel no blog da Noris.Mas há mais deixo aqui mais algumas sugestões :"o poder está dentro de si","Quando acontecem coisas más ás pessoas boas","o poder do amor"e o celebre"segredo",pode procurar em bibliotecas,ou pedir alguém emprestado,não fique é na "fossa",como se costuma dizer...
Já encontrou,por aqui muitos amigos,apesar de virtuais estão preocupados consigo.Se precisar de ajuda, eu venho sempre aqui ao seu cantinho, e receba o meu ombro amigo se precisar chorar...Espero sinceramente contribuir,para o regresso da mamã Sofia lutadora e ganhadora... Bjocas grandes

Mamã Sofia disse...

Não tenho o hábito de responder aos comentários que aqui fazem... prefiro ler o que escrevem nos seus próprios blog e também lá deixar uma palavra amiga.
Mas desta vez é inevitável... também me é impossivel responder um a um... seriam menos uns cartões, menos um jogo que farei para o João... penso que todos entendem isso. E o objectivo deste blog não é me expor desta maneira... talvez o tenha feito porque efectivamente estava a precisar destas palavras amigas, desta força... que tantas vezes tento dar aos outros, mas por vezes me falta a mim própria.

Estou a passar por umperiodo muito dificil... novos problemas com o João - possibilidade de ficar cego de um olho, um pai que deixa de pagar a pensão e que pede provas em tribunal em como o João precisa e faz as terapias, caso contrário não ajuda - como os tribunais são lentos, até lá... NÃO PAGA ;o(( - e problemas no trabalho, em que em 3 anos nunca tive problemas, e agora passei a ser uma baldas porque vou ás consultas e terapias com o meu filho. Resumidadmente, porque a saude e educação dos meus filhos está acima de tudo a resposta que ouvi foi: Ainda bem que isso foi dito, cada um tem as suas prioridades e por isso assume-se as suas consequências... - se isto fosse dito por uma pessoa qualquer, até entenderia, mas de uma pessoa que supostamente era nossa amiga!... muito mais poderia dizer sobre este assunto do trabalho, mas acho que não vale a pena, porque a maior parte de mães VERDADEIRAS sentem isto no seu local de trabalho... esta discriminação.

E se tenho de lutar pelos meus filhos, pela sua saúde e educação, também agora tenho de lutar pelo meu posto de trabalho...

São muitas as pressões... e sem querer, acabei por me expor...

Mas acho que de alguma maneira vos devo esta explicação...

Neste tempo que estou em casa estou a tentar pensar na melhor forma de resolver e lidar com todas estas situações...

Que escolhas devo eu tomar...

Mas ficamos por aqui.

A minha luta com o João continua, com o José também; assim como a minha partilha.

Um abraço a todos, com muito carinho e os famosos KISS

Mamã Sofia

Mãe Sisa disse...

Senti-me neste teu post...

Há dias assim.

Um forte abraço (pelo menos virtual!)

Anónimo disse...

Às vezes o mundo não ajuda as mamãs que lutam. Quando era suposto ser o contrário... Para quê tanta provação, meu Deus? Às vezes é difícil mesmo. Estou convicta de que tudo aquilo porque passamos terá uma compensação. Se não acreditasse nisso, muitas vezes teria desistido. Sofia, tu és muito corajosa. Tenho a certeza de que a vida vai acabar por te ajudar. Como tu ajudas os outros, através das tuas palavras. Isa

D. disse...

Olá,
Esta é a primeira vez que passo por aqui e não conheço a sua história.
Todas nós, mães, as que trabalham e as que abdicaram de tudo para acompanhar os seus filhos, temos estes dias e estes pensamentos.
Eu aprendi que temos que ter tempo para tudo: para sorrir, para chorar, para rir, para gritar, para estarmos sós, para estarmos acompanhadas e temos que encarar que tudo é normal. Qual a mãe que pode passar por esta situação de dificuldade feliz? Nenhuma. Nós apenas empurramos os sentimentos menos bons para baixo e tentamos transformá-los em energia positiva. E dia a dia pegamos nessa energia para lutar pelos nossos maiores tesouros e acredite que depois de um dia chuvoso e cinzento o sol volta para aquecer e iluminar o mundo.
Chore e desabafe sempre que precisar, no dia seguinte acordará com uma nova vontade, com as forças renovadas para enfrentar a vida, a nossa vida, e usufruir de todos os MOMENTOS felizes...

Beijinhos